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O vão entre o trem e a plataforma
Texto velho, mas lembrança inesquecível. Aconteceu comigo há uns 6 anos e foi quando escrevi. Não quis mexer na estrutura original para preservar a autenticidade. Fosse hoje, escreveria diferente. Mas aí vai, com o meu olhar de adolescente.
Horário de pico. Ia chegar em cima da hora ao consultório do dentista para a manutenção mensal do aparelho ortodôntico. Mas o trem em que estava quebrou bem no meio do caminho. Marcava sempre para o último horário, porque trabalhava do outro lado da cidade e não conseguia chegar antes. Porcaria de trem! Sempre a deixava na mão quando ela mais precisava. O que mais poderia fazer senão esperar pelo próximo e ser “gentilmente” empurrada para dentro dele? O pior é que já tinha se atrasado no mês anterior e "aconselhada" a avisar sobre futuros atrasos. Como nunca tinha crédito no celular, resolveu ligar em casa a cobrar e pedir para a irmã contar sua história triste ao dentista. Quando terminava a ligação, percebeu que o novo trem chegava. Prevendo o alvoroço que se seguiria, foi logo se despedindo e desligou o telefone. Já podia sentir os hálitos em sua nuca e os cotovelos cutucando suas costelas. Aquele momento sempre exigia um grande preparo psicológico e espiritual. Se aproximou da beirada da plataforma, onde a multidão já se acotovelava para entrar no trem que ainda nem abrira as portas. Quando criança, aquele espaço entre o trem e a plataforma lhe causava arrepios, mas seu pai sempre a erguia pelos braços ou segurava no colo quando tinham de passar pelo vão. Agora, adulta, apenas tinha que esticar um pouco mais a perna para entrar, o que não era nenhum problema. O problema seria a maratona até o dentista para não fazê-lo esperar demais. Imaginou a cara feia da secretária, que não pretendia ficar um minuto a mais, já que no seu salário um cliente não faria a menor diferença. E então, aconteceu. As portas se abriram. Ela não sabia se devia ficar feliz ou desesperada. O trem, já cheio, ia ter que comportar o conteúdo de mais um trem. Sabia que não ia ser fácil. Ainda bem que eram só mais três estações! Como uma manada de rinocerontes, as pessoas começaram a empurrar-se para dentro do vagão, talvez com medo de nunca mais conseguir outro trem para ir para casa. Talvez todas elas estivessem atrasadas para o dentista e imaginando secretárias furiosas, obrigando-as a remarcar a consulta para o próximo mês. Chegava o momento em que teria que esticar um pouco mais a perna, ela sabia, mas droga! Com todas aquelas pessoas empurrando ficava difícil se concentrar no vão e aquele era particularmente diferente. A plataforma era mais baixa, o espaço maior. Em sua cabeça, pareceu demorar minutos inteiros, mas foi muito rápido, tanto que não conseguiu registrar os detalhes. E então... Eis que ela cai no buraco. Meu Deus, a moça caiu no buraco! Ouviu. Mas o mundo não parou, os rinocerontes continuaram sua corrida e, no segundo seguinte, lá estava novamente no meio da multidão, sendo empurrada. Olhou para trás na esperança de ver quem a salvara, para ao menos lhe agradecer, mas não viu. Tentou entender como aconteceu. Não tocou o chão, não ficou presa pelo corpo, nada doía, não sentia nada. Se a puxaram pelos braços ou pelos cabelos, não sabia dizer. Não teve medo, não deu tempo. Só sabia que estava ali, sã e salva, indo ao dentista. Arrepiou-se. Jamais conseguirá explicar aquela fração de segundo em que esteve no famoso "vão entre o trem e a plataforma". Ainda hoje se pergunta se não terá sido obra de sua imaginação fértil. Seja como for, sentiu-se grata por não ter permanecido tempo suficiente para se lembrar.
Escrito por Mariana Santos às 22h27
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Pré-lançamento do livro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, em Genebra!
Feliz, feliz! Acabei de receber do meu amigo Thiago Domenici a notícia de que o livro sobre os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, para o qual fiz uma reportagem, foi pré-lançado em Genebra, na Suíça! Bacana, não? Trabalho muito legal, que tive o prazer de compartilhar com alguns amigos e figuras ilustres do nosso jornalismo. Minha pauta foi "direitos humanos das comunidades quilombolas". Fui até Ubatuba conhecer o quilombo Caçandoca, comunidade incrível, de pessoas fortes, praia linda e preservada, mas ameaçada pela especulação imobiliária. O nome da reportagem é "Caçandoca Resiste". Ainda não sei quando será o lançamento no Brasil, mas espero que não demore. Estou ansiosa para ver como ficou. Abaixo, o texto que explica melhor que eu. Tô meio besta ainda.
07.05.09 - Livro sobre os 60 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos tem pré-lançamento em Genebra A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) realizou hoje (7), em Genebra, Suíça, o pré-lançamento do livro “Brasil Direitos Humanos – 2008: A realidade do país aos 60 anos da Declaração Universal”, que traz artigos, entrevistas e reportagens sobre os Direitos Humanos no país. O evento contou com a participação do ministro Paulo Vannuchi, que entregou um exemplar nas mãos da Alta Comissária da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, e do presidente do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, embaixador Martin Ihoeghian Uhomoibhi. Participaram do lançamento do livro todos os integrantes do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, responsáveis por sabatinar a delegação brasileira durante os dias de ontem e hoje, sobre o relatório a respeito do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (Pidesc), do qual o Brasil é signatário. Esta é a segunda vez que o país apresenta o relatório Pidesc na ONU, a primeira foi em 2003. Realizado na residência da embaixadora do Brasil em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevedo, o evento teve a presença de toda a delegação brasileira, presidida pelo ministro Vannuchi e composta por representantes de 13 ministérios, além de vários embaixadores de países amigos. Com tiragem de 5 mil exemplares e distribuição gratuita, o livro “Brasil Direitos Humanos – 2008: A realidade do país aos 60 anos da Declaração Universal” possui 288 páginas. Para o pré-lançamento em Genebra foi produzido uma versão resumida em inglês com 31 páginas. Entre os assuntos abordados estão os direitos das mulheres, dos quilombolas, da criança e do adolescente, à liberdade de orientação sexual. Assinam artigos os estudiosos Flávia Piovesan, Marcos Rolim, Maria Victoria Benevides, entre outros, além dos ex-ministros dos Direitos Humanos Nilmário Miranda, Paulo Sérgio Pinheiro e José Gregori.
Escrito por Mariana Santos às 23h42
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